O mercado mundial de computadores teve no terceiro trimestre de 2026 uma das piores quedas dos últimos anos. Segundo a IDC, saíram das fábricas 62,7 milhões de unidades, contra 78,5 milhões no mesmo período de 2025. É uma descida de 20,1%, a maior que esta consultora alguma vez registou num terceiro trimestre.
A Omdia, que usa uma metodologia diferente, chega a uma conclusão parecida: 58,1 milhões de portáteis, desktops e workstations, menos 21,2% em termos homólogos. Para esta analista, é a quebra mais acentuada desde o primeiro trimestre de 2023.
Um trimestre que costuma crescer
A descida pesa mais porque contraria o padrão habitual. O terceiro trimestre costuma vender mais do que o segundo, mas este ano a IDC contou menos 9,1% de unidades do que entre Abril e Junho, quando se venderam 68,2 milhões.
A Omdia separa os números por tipo de equipamento:
- Desktops: 11,7 milhões de unidades, menos 23,5%
- Portáteis: 46,4 milhões de unidades, menos 20,6%
Houve quedas maiores noutros trimestres recentes, como no fim de 2022 e no início de 2023. Nessa altura o mercado estava a regressar ao normal depois dos picos de procura da pandemia. Agora a explicação é outra.
A memória mudou de prioridade
Desde 2025, a procura de memória para servidores de inteligência artificial tem ocupado grande parte da capacidade de produção. Sobra menos para computadores, smartphones e consolas. Segundo a Omdia, a memória e o armazenamento valem hoje quase 40% do custo de fabrico de um PC, quando o habitual ronda os 15%.
Esse aumento já chegou ao preço final, e compradores particulares e empresariais estão a adiar compras. A IDC acrescenta outro factor: muitos fabricantes e distribuidores compraram stock mais cedo no ano, para se anteciparem às subidas de preço da memória. Ficou pouca procura por satisfazer no terceiro trimestre.
A escassez não se limita à memória. A Omdia refere também falta de processadores, placas gráficas e vários circuitos integrados, o que complica a gestão da produção e dos inventários.
Promoções curtas, preços altos
Os distribuidores têm agora o problema contrário: demasiado inventário num mercado em que os preços travam a procura. A IDC admite que isso possa trazer promoções e algum alívio passageiro. Mas espera que os preços desçam apenas de forma modesta e breve, e afasta a hipótese de voltarem aos valores de há um ano.
As previsões também não são animadoras. A Omdia espera uma queda de 24% no próximo trimestre e de 7% em 2027. Executivos da Micron e da Samsung admitiram que a falta de componentes pode prolongar-se até 2028. A IDC avisa que, com a conjuntura económica a piorar, as perspectivas podem degradar-se antes de melhorarem.
Em números
- 20.1 %
- 21.2 %
- 23.5 %
- 20.6 %
O que muda para as empresas
Para uma empresa que planeia renovar portáteis e desktops, o cenário mudou. Comprar computadores ficou mais caro, e os analistas tratam este nível de preços como duradouro e não como um pico passageiro. Adiar a renovação à espera de preços mais baixos pode não compensar, porque a escassez de componentes pode durar até 2028.
Ao mesmo tempo, o excesso de stock nos distribuidores pode abrir janelas curtas de promoções. Quem tiver necessidades já definidas e orçamento aprovado estará em melhor posição para as aproveitar. A disponibilidade de configurações com mais memória ou de equipamentos específicos também pode tornar-se menos previsível.
O que recomendamos
Reveja já o plano de renovação de equipamento para 2026 e 2027 e ajuste o orçamento à realidade dos preços actuais, sem contar com descidas significativas. Identifique os equipamentos que precisam mesmo de ser substituídos, por fim de suporte ou falhas, e separe-os dos que podem durar mais um ou dois anos com manutenção ou um reforço de memória e disco. Tenha especificações e quantidades definidas com antecedência, para poder decidir depressa se surgir uma promoção.
Em compras de maior volume, peça propostas a mais do que um fornecedor e negocie prazos de entrega e preços fixos por escrito. Se precisar de ajuda para avaliar o parque informático e definir prioridades de substituição, a MCIT pode fazer esse levantamento consigo.
Falar connoscoArtigo preparado com apoio de inteligência artificial, revisto e aprovado por Marco Cerruti, MCIT.