A Câmara Municipal de Ovar foi alvo de um ataque informático durante o fim-de-semana e ficou com o sistema informático inoperacional. A autarquia confirmou a ocorrência no domingo, 18 de Outubro, e anunciou o encerramento ao público de vários serviços até quarta-feira, 21 de Outubro, inclusive.
Segundo o município, o caso foi comunicado às entidades competentes, incluindo as autoridades policiais, e os procedimentos de resposta foram activados de imediato. Uma equipa técnica está a trabalhar na contenção do ataque, na avaliação dos sistemas afectados e na recuperação, em articulação com essas entidades.
O que está fechado e o que funciona
O sistema atingido é transversal aos principais departamentos da câmara, o que explica o alcance do encerramento. Ficam fechados ao público:
- Serviço de Atendimento Municipal
- Urbanismo
- Veterinária
- Balcão Único do Prédio (BUPi)
- Ecocentro
- Centro de Arte, museus municipais e Escola de Artes e Ofícios
Os serviços online e a Ecolinha também estão indisponíveis. De acordo com o comunicado citado pelo Diário de Aveiro, o mesmo acontece com os endereços de correio electrónico e os telefones fixos do município.
Continuam a funcionar o Espaço Cidadão, o Mercado Municipal, a Piscina Municipal, o Cemitério, a Biblioteca Municipal e o Espaço Empreendedor, bem como a plataforma SIGA, dos serviços educativos, e a linha telefónica de atendimento de Urbanismo.
Prazos suspensos
Para que ninguém seja penalizado por não conseguir entregar documentos ou consultar processos, a câmara vai suspender todos os prazos dos procedimentos administrativos em curso. A informação actualizada será divulgada nas redes sociais oficiais do município.
O que ainda não se sabe
A autarquia não revelou a natureza do ataque nem a forma como os atacantes entraram. Também não há confirmação pública de que se trate de ransomware, o tipo de ataque em que os ficheiros são cifrados e é exigido um resgate. Não existe ainda informação sobre um eventual acesso a dados pessoais de munícipes. Um sistema parado não significa, por si só, que tenham sido levados dados: isso terá de ser apurado na investigação técnica.
O prazo de 21 de Outubro refere-se ao encerramento dos serviços. O município não indicou uma data para a recuperação total dos sistemas.
Porque importa
O caso mostra a rapidez com que um incidente informático se transforma num problema de funcionamento. Licenciamentos, registos de prédios, atendimento e pagamentos dependem da mesma infra-estrutura. Quando ela cai, param todos ao mesmo tempo, e com eles desaparecem os canais habituais de contacto, como o email e o telefone fixo.
A recuperação também não é imediata. Antes de voltar a ligar os sistemas é preciso perceber por onde entrou o ataque, confirmar a integridade dos sistemas e garantir que não ficaram acessos escondidos que permitam aos atacantes regressar. Se a recuperação for apressada e saltar esse trabalho, pode abrir a porta a um segundo incidente.
Em números
O que muda para as empresas
Para as empresas com processos na Câmara de Ovar, sobretudo de urbanismo ou registo de prédios no BUPi, o efeito imediato são atrasos. A suspensão dos prazos administrativos protege-as de penalizações, mas não acelera decisões nem licenças que estavam pendentes. Com o email e os telefones fixos do município indisponíveis, também fica mais difícil obter informação directa sobre o estado de cada processo.
Há ainda uma lição que vai além de Ovar. Uma organização que concentra serviços críticos num único sistema, sem alternativas preparadas, pode ficar dias sem conseguir atender clientes ou comunicar com o exterior. Isto vale para uma câmara municipal e vale igualmente para uma PME.
O que recomendamos
Se a sua empresa tem processos em curso na Câmara de Ovar, registe por escrito todas as tentativas de entrega ou de contacto feitas neste período e acompanhe as actualizações nos canais oficiais do município. Desconfie de mensagens que digam vir da câmara e peçam pagamentos, dados ou cliques em ligações enquanto a situação não estiver resolvida. Confirme sempre por um canal oficial.
Internamente, use o caso como teste. Identifique quais os sistemas cuja falha pararia a empresa e verifique se tem cópias de segurança guardadas fora da rede principal e já testadas na prática. Defina também canais de comunicação alternativos para clientes e equipas, para o caso de o email e os telefones falharem, e tenha um plano de resposta com responsáveis e contactos definidos antes de ser preciso. Se não tiver recursos internos para fazer este levantamento, a MCIT ou outro parceiro de confiança pode ajudar a estruturá-lo.
Falar connoscoArtigo preparado com apoio de inteligência artificial, revisto e aprovado por Marco Cerruti, MCIT.